

BRASIL | SEGURANÇA PÚBLICA
A execução do ex-delegado-geral de São Paulo Ruy Ferraz Fontes e o avanço do crime organizado sobre a economia formal acenderam um alerta no Ministério Público: se não houver uma resposta mais dura do Estado, o Brasil corre o risco de se transformar em um narcoestado.
O alerta foi feito pelo promotor Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga o Primeiro Comando da Capital (PCC) há cerca de duas décadas.
“Isso é a falência do Estado. O Brasil caminha a passos largos para se tornar um narcoestado se nada for feito”, afirmou Gakiya. Segundo ele, a facção deixou de ser um grupo restrito ao sistema prisional e passou a operar com características típicas de organizações mafiosas.
Execução levanta suspeita de crime organizado
Ruy Ferraz Fontes foi assassinado em uma emboscada no dia 15, em Praia Grande (SP), onde atuava como secretário municipal. A polícia investiga o crime e já identificou suspeitos, sendo que ao menos um deles tem ligação com o PCC, segundo as apurações preliminares.
Com mais de 40 anos de carreira na Polícia Civil, Ferraz Fontes foi responsável, nos anos 2000, pelo indiciamento de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como principal líder da facção criminosa. Ele estava aposentado da corporação havia dois anos.
Para o promotor, o modo de execução indica profissionalismo. “As imagens e as informações mostram uma ação planejada, com tocaia, perseguição e uso de armamento pesado. Não se trata de um crime comum”, disse.
Facção ganha perfil de máfia, diz MP
Segundo Gakiya, o PCC ampliou sua atuação para além do tráfico de drogas e hoje infiltra recursos na economia informal e em setores do mercado financeiro, por meio de empresas de fachada, lavagem de dinheiro e alianças com outros grupos criminosos.
“Essa associação do PCC com criminosos de outras áreas aumenta o poder da organização e a torna ainda mais perigosa. É um fenômeno que não existia quando foi criada a atual Lei das Organizações Criminosas”, afirmou.
O promotor defende a criação de uma legislação antimáfia no Brasil, com tipificação penal específica para esse tipo de organização. “Não tenho dúvida de que o PCC já atua como uma máfia. O que falta é uma legislação que trate esse fenômeno de forma adequada.”
Ministério da Justiça discute novas medidas
Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que discute internamente um projeto para fortalecer o combate às facções criminosas. A proposta prevê endurecimento da legislação e mecanismos adicionais de proteção a agentes públicos que atuam no enfrentamento ao crime organizado.
Para Gakiya, sem mudanças estruturais e legais, a tendência é de agravamento do cenário. “Não se trata de alarmismo. É uma leitura baseada em fatos, investigações e na evolução do crime organizado no País”, concluiu.
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