

As ações da Petrobras e da Vale alcançaram máximas históricas na B3 nesta semana, impulsionadas por um fluxo expressivo de investidores estrangeiros que movimentaram R$ 2,8 trilhões em ações brasileiras em 2025, com as gigantes estatais e mineradoras liderando as negociações. O Ibovespa renovou recordes consecutivos, superando os 171 mil pontos, enquanto PETR4 e VALE3 acumularam ganhos superiores a 15% no ano, refletindo otimismo com commodities, dividendos generosos e o retorno de capitais globais ao mercado emergente brasileiro.
Recordes históricos e domínio estrangeiro
A Petrobras PN (PETR4) atingiu cotação máxima de R$ 38,50 na sexta-feira, enquanto as ordinárias (PETR3) negociaram acima de R$ 37, com valor de mercado aproximando-se dos R$ 500 bilhões. A Vale ON (VALE3), por sua vez, tocou R$ 62,80, maior patamar desde 2021, impulsionada por preços do minério de ferro acima de US$ 100 a tonelada e expectativas de demanda chinesa sustentada. Juntas, as duas ações responderam por mais de 25% do volume negociado pelos estrangeiros na B3 em 2025, com VALE3 sozinha concentrando R$ 197,7 bilhões e PETR4, R$ 154 bilhões.
O fenômeno deve-se ao saldo líquido positivo de R$ 26,87 bilhões aportados por não residentes, revertendo saídas de anos anteriores e elevando sua participação no free float da Petrobras para 46,05%, sendo 24,61% via B3 e 21,45% em ADRs na NYSE. Analistas atribuem o movimento à combinação de Selic elevada, real desvalorizado favorecendo exportadoras e yields atrativos de dividendos, com Petrobras pagando R$ 0,97 por ação em fevereiro e Vale projetando R$ 12 bilhões em proventos.
Fatores macroeconômicos e setoriais
O influxo estrangeiro, que representou 62% do volume total negociado em ações na B3 em 2025, ganhou força no segundo semestre, com maio registrando R$ 263 bilhões e dezembro, R$ 255 bilhões. Para a Petrobras, o catalisador veio da produção recorde de 3,4 milhões de barris/dia, queda no câmbio para R$ 5,40 e otimismo com leilões do pré-sal, enquanto a Vale surfou a recuperação do minério após interrupções em Minas Gerais e demanda por níquel em baterias elétricas.
Relatórios de casas como XP Investimentos e BTG Pactual destacam que o Brasil se tornou porto seguro para emergentes, com o Ibovespa valorizando 33,95% no ano, puxado por blue chips. Itaúsa (ITSA4), Bradesco (BBDC4) e bancos completam o pódio das preferidas pelos gringos, mas Petrobras e Vale concentram o maior volume devido à liquidez e exposição a dólar.
Composição acionária e governança
Na Petrobras, o governo federal detém 29,02% via União e 6,98% pelo BNDESPar, mas o free float saltou para 62,94%, com estrangeiros dominando 46,05% do capital total outstanding de 12,88 bilhões de ações. PETR4 concentra 80,99% de free float, atraindo varejo e institucionais. Na Vale, o cenário é ainda mais aberto, com 80,99% de ações livres e investidores não residentes negociando intensamente.
A governança aprimorada, com conselho mais técnico na Petrobras pós-interferências políticas e foco em ESG na Vale, reforça a confiança. Dividend yield projetado de 12% para PETR4 e 9% para VALE3 em 2026 atrai fundos passivos e sovereign wealth funds asiáticos e do Oriente Médio.
Perspectivas para 2026 e riscos
Analistas projetam continuidade do rali, com Petrobras mirando R$ 42 e Vale R$ 68 até junho, impulsionados por petróleo acima de US$ 80 e minério em US$ 110. No entanto, riscos incluem volatilidade cambial, eleições municipais e tensão fiscal no Brasil, que podem frear o fluxo. Estrangeiros, responsáveis por 15% mais volume que em 2024, seguem seletivos, priorizando ações com payout alto e exposição global.
O fenômeno ilustra a maturidade do mercado brasileiro, onde gigantes estatais e privadas disputam holofotes com bancos e varejo. Com B3 atraindo R$ 3,5 trilhões em negociações totais, incluindo FIIs e BDRs, o investidor estrangeiro consolida o Brasil como hub emergente, apostando em Petrobras e Vale como termômetros de commodities em alta.
Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
HostingPRESS – Agência de Notícias de São Paulo. Conteúdo distribuído por nossa Central de Jornalismo. Reprodução autorizada mediante crédito da fonte.

