A Organização Mundial da Saúde emitiu, nesta quarta-feira, 6 de maio de 2026, uma confirmação que altera de forma substancial o perfil epidemiológico de um dos vírus mais letais conhecidos pela medicina: após análise laboratorial aprofundada das amostras coletadas dos pacientes infectados a bordo do cruzeiro MV Hondius, ancorado ao largo de Cabo Verde desde o início da semana, a agência da ONU confirmou que ao menos dois dos casos identificados apresentam padrão genético viral e histórico de exposição compatíveis com transmissão interhumana do hantavírus, isto é, contágio de pessoa a pessoa, fenômeno que até então não havia sido documentado de forma conclusiva para esse patógeno em condições naturais de ambiente fechado.
O hantavírus pertence à família Hantaviridae e é transmitido ao ser humano, em condições normais, exclusivamente por contato com roedores infectados ou com seus dejetos, incluindo fezes, urina ou saliva. A inalação de partículas contaminadas pelo vírus é o mecanismo de transmissão mais frequente na epidemiologia clássica da doença. A hipótese de transmissão interhumana havia sido aventada em estudos anteriores sobre a cepa Andes, encontrada no Chile e na Argentina, mas permanecia como possibilidade marginal sem confirmação robusta. A confirmação da OMS a partir dos casos do MV Hondius representa, portanto, uma nova fronteira epidemiológica cujas implicações para a vigilância sanitária global ainda precisam ser inteiramente mapeadas.
O cruzeiro mantém, desde segunda-feira, 147 pessoas em isolamento a bordo, entre passageiros e tripulantes, em medida de contenção sanitária decretada pelas autoridades de Cabo Verde em coordenação com as agências de saúde da União Europeia.
